A nova marca da H&M nomeia as fábricas e fornecedores onde as roupas são feitas em uma tentativa de dar mais transparência aos consumidores

Como vimos no nosso report de Macrotendências de Inverno da Insp2, cada vez mais, os consumidores querem saber que os produtos estão sendo feitos de maneira ética e sustentável. E a indústria da Moda é uma que está sob um escrutínio em especial, devido a diversos casos polêmicos que aconteceram nos últimos anos e trouxeram à tona um lado mais sombrio da indústria e variam desde casos de mão de obra escrava, infantil, acidentes de trabalho mortais, desperdício e agressão ao meio ambiente, entre outros.

Marcas como Levi’s (pdf), Nike, Adidas, e Gap(pdf) responderam publicando uma lista de todos os seus fornecedores, afim de dar a transparência que o consumidor dos dias de hoje espera. Você tem que procurar por elas, mas elas estão acessíveis.

Arket, a nova marca da H&M, com preços um pouco mais altos do que os da gigante do varejo fast fashion e mais focada em peças atemporais do que tendências, promete ir um pouco mais longe.

Seu website, lançado em agosto, dá a locação e o nome da fábrica onde cada peça de roupa disponível foi feita. É uma jogada que vai além da transparência atual, o que pode ser vital nessa nova era de consumidores informados, exigentes e onde há um novo nível de mercado de massa.

Mas também abre a pergunta, o que um consumidor deve fazer com essa informação? E quão útil é toda essa transparência afinal?

Por exemplo, saber que uma camiseta de manga longa apresentada no site foi feita em Dhaka, Bangladesh, por um fornecedor chamado Square Fashions, é um tipo de detalhe raro na moda e quase inimaginável há uma década atrás . (O site diz que as informações dos fornecedores é atualizada periodicamente, mas discrepâncias podem ocorrer.)

H&M diz que exige que todos os fornecedores com quem trabalha assinem um  compromisso de sustentabilidade (pdf). Mas fábricas são conhecidas por violar esses compromissos, e simplesmente dar os nomes dos fornecedores/fábricas não revela de verdade aos consumidores sobre se eles oferecem aos trabalhadores salários justos e condições seguras de trabalho. São estas as informações mais vitais na hora de se fazer uma decisão consciente e ética sobre o produto que você está adquirindo.  

“Apesar de inovadora, ainda não empondera o consumidor” diz Dorothée Baumann-Pauly, diretora de pesquisa para a New York University’s Stern Center for Business and Human Rights. Para fazer isso, ela sugere “que o site crie links para informações checadas e de confiança sobre condições de trabalho dos fornecedores”, como as informações compiladas pela Fair Labor Association (Trabalho Justo).

Outro fator em debate é se um consumidor pode realmente saber se um produto foi feito na fábrica/fornecedor listado, não porque a marca/companhia está mentindo, mas porque muitas vezes, nem ela sabe ao certo. O processo de terceirização é espalhado e muito utilizado na indústria da moda, em especial em países com mão-de-obra barata, como Bangladesh. É mais ou menos assim que funciona: Uma fábrica pode aceitar o pedido de uma marca mas vê que não tem a capacidade de realizar todo o trabalho, então sem a ciência da marca, subcontrata outras fábricas menores, muitas vezes não registradas e o tipo de lugar onde você certamente vai encontrar condições precárias e sem segurança de trabalho.

Como política, Arket diz que monitora de perto seus fornecedores nos escritórios e locais de onde os produtos vem, e quando encontra empresas subcontratadas, toma todas as medidas possíveis para garantir que tudo esteja dentro dos parâmetros da ética e segurança.

Existem tantos detalhes e nuances no processo, que mais uma vez nos perguntamos, como uma pessoa comum, que não trabalhe na indústria deve se manter informada de tudo? Saber a relação de uma marca com seus fornecedores? Consumidores, especialmente millenials, estão cada vez mais preocupados em fazer escolhas éticas e sustentáveis, e o apelo/demanda por “transparência” nunca foi tão alto. Mas transparência pode somente garantir práticas justas e seguras quando unidas a um monitoramento terceirizado,  e quando for claro o suficiente para que os consumidores possam entender e não apenas um dado para ser usado como estratégia de marketing.